 Há um navio gigante
que parece vazio.
Parece errante
mas segue o rio.
O grande rio,
de aguas sujas
também sagradas,
sujas das vivências
mal acostumadas.
Nada importa,
se o navio não afunda,
aberta suas portas,
a todas as portas do mundo.
O que leva este navio,
a navegar somente,
do fim ao começo do rio,
de toda e qualquer gente?
É a gente em si
seu único valor real,
que o faz à deriva,
seu porto natural.
Guardas os segredos
do estranho olhar
que o guarda
que o esperam sem medo,
em noites de luar. |